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Malhas de cobre para o cultivo de salmão seriam menos contaminantes por não produzirem fouling. Isto poderá ser confirmado por estudo que medirá o rastro de carbono na indústria chilena. |
A empresa Ecosea Farming, que elabora um sistema de malhas de cobre para o cultivo de salmões, desenvolverá os estudos necessários para quantificar o rastro de carbono das emissões de CO2- e (1) na indústria salmonífera chilena. A hipótese da companhia é que os sistemas baseados em malhas de cobre reduzam tais emissões, tanto nas operações de cultivo como nas emissões de metano provenientes da decomposição de fouling, que se acumula nas malhas de nylon tradicionais e não nas de cobre.
O estudo será desenvolvido pela consultora Projetos Globales S.A., empresa especializada em planos de redução de emissões de gases de efeito estufa e em energias renováveis, e terá como principal objetivo quantificar a redução de CO2-e para a indústria salmonífera chilena. O estudo recebeu verbas da CORFO para ser desenvolvido.
A grande relevância de reduzir as emissões de CO2 em cada etapa do processo produtivo de salmões tem relação com três aspectos fundamentais. Um é compensar as maiores emissões que tem a produção chilena por estar distante dos mercados consumidores se comparado com outros países produtores como a Noruega e a Escócia. A segunda é a contribuição da indústria em reduzir os efeitos da mudança climática O terceiro aspecto é a importância cada vez maior que os consumidores e mercados de destino estão dando à rotulagem dos produtos com relação a seu rastro de carbono, um dos novos desafios para a indústria salmonífera e que já está sendo abordado por outros setores exportadores nacionais, como o setor vitivinícola.
“Sem dúvida é um tema que deve ser discutido. Trata-se de uma mudança radical para a indústria aquícola nacional e também mundial”, explica Rodrigo Sánchez, gerente da Ecosea Farming S.A.
“Graças ao fato de que nossas malhas não geram o fouling, que produz muito CO2 ao se decompor (metano), e por necessitar uma menor logística associada (barcos, caminhões, barcas), o rastro de carbono associado será menor, por isso existirá a possibilidade de obter certificações e optar por bônus de carbono, os quais poderiam ser inclusive maiores ao investimento necessário para o uso deste tipo de malhas”, ressalta Sánchez.
Para Hernán Sierralta, diretor de Comunicações da International Copper Association, organização que apoia todas as inovações relacionadas ao cobre, “o tema do rastro de carbono é uma questão que todas as indústrias deveriam observar a médio e longo prazo. O cobre possui inúmeras propriedades benéficas, como o fato de ser 100% reciclável, entre outras”.
Os temas relacionados ao meio ambiente e ao rastro de carbono das indústrias são parte das exigências dos mercados mais desenvolvidos. Trata-se de um desafio que a indústria do salmão deve resolver em médio prazo. O apoio da CORFO para este projeto deveria contribuir de forma positiva na competitividade da indústria.
A respeito das outras vantagens das malhas de cobre, Rodrigo Sánchez acrescenta: as malhas possuem enormes benefícios, que vão além de suas características bactericida, fungicida e antifouling, pois também são a barreira mais efetiva contra o ataque de predadores, principalmente lobos marinhos, sem a necessidade de instalar uma malha perimetral ao centro de cultivo para evitar os significativos prejuízos ocasionados devido a isso.
Além disso, também oferecem importantes benefícios na redução de custos operacionais e de riscos de fugas de biomassa, devido à redução de manuseio, manutenção e troca de redes, o que lamentavelmente acontece nos sistemas atualmente utilizados pela indústria. Vale destacar que as malhas de ligas de cobre têm uma vida útil superior a cinco anos e são 100% recicláveis.
A EcoSea é uma empresa nacional formada pela Codelco, International Copper Association (Procobre), Universidade de Concepción, Universidade Católica de Valparaíso, Fundación Chile e Sitecna. Dentre seus objetivos está o desenvolvimento regional de toda a rede de produção, que atualmente está nas mãos da japonesa Mitsubishi.
(1) CO2-e significa dióxido de carbono equivalente.