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No
mês de maio foram iniciadas as medições
na Unidade de Tratamento Intensivo do Hospital Salvador
Allende de Calama, cidade localizada no norte do Chile.
Esta sala (UTI) foi projetada com aplicações
de cobre nas superfícies de alto impacto e arrumada
com objetos e utensílios feitos com o metal,
para determinar cientificamente sua propriedade bactericida
na redução das infecções
hospitalares. |
O doutor Michael Schmidt (PhD e subdiretor do Departamento
de Microbiologia e Imunologia da Universidade Médica
da Carolina do Sul) foi ao Chile para supervisionar os protocolos
de medição e a equipe médica que fará
este estudo. Ele visitou a UTI, acompanhado por membros
da diretoria do hospital, do vice-presidente corporativo
da Codelco Norte (Sergio Jarpa), de executivos da International
Copper Association (ICA), de acadêmicos da Fundação
Untec da Universidad do Chile e de executivos da InnovaChile
de Corfo.
Schmidt lidera o estudo multicêntrico, apoiado pela
ICA, em oito centros de saúde localizados nos Estados
Unidos, Inglaterra, Alemanha, Japão e Chile. A experiência
no Hospital do Cobre será realizada pela equipe de
Schmidt, dirigida pela doutora Valéria Prado, acadêmica
do Programa de Microbiologia e Micologia do Instituto de
Ciências Biomédicas da Universidade do Chile
e diretora do Centro de Pesquisas Clínicas e Estudos
Farmacológicos.
Emprendimento e novos mercados
Para concretizar esta iniciativa no Chile, a Codelco, a
International Copper Association (ICA), a InnovaChile de
Corfo e as faculdades de Engenharia e Medicina da Universidade
do Chile uniram esforços e financiamento para realizar
o projeto de uma plataforma de conhecimento e capacidades
locais para a criação de novos produtos que
utilizem a propriedade antimicrobiana do cobre, que agora
conta com financiamento total para suas cinco etapas (580
milhões de pesos).
O engenheiro Rodrigo Palma, acadêmico do departamento
de Engenharia Mecânica da Universidade do Chile e
diretor do Projeto InnovaChile, destacou que “este
projeto é um exemplo de como é possível
articular disciplinas distintas como a Medicina e a Engenharia,
em conjunto com as indústrias e instituições
de incentivo e do Estado, para conseguir soluções
para problemas, beneficiando diretamente os chilenos”.
Carmen Tardito, diretora de Estratégia da Gerência
de Desenvolvimento de Mercados da Codelco, destacou que
“a propriedade bactericida do cobre foi o que gerou
esta iniciativa para o Chile. Isto permitirá desenvolver
uma plataforma de conhecimento para a criação
de novos produtos que utilizem a propriedade antimicrobiana
do cobre, o que facilitará a interação
entre pesquisadores e empresas, acelerando os processos
de pesquisa e desenvolvimento de um novo mercado com produtos
e ligas deste metal”.
O vice-presidente corporativo da Codelco Norte, Sergio Jarpa,
ressaltou que “segundo estimativas e considerando
somente os implementos de cobre para hospitais, seria possível
gerar uma demanda de mais de 300 mil toneladas somente na
América do Norte e chegar à cerca de 3.milhões
de toneladas de cobre no mundo”.
Primeiro metal bactericida do mundo
Em fevereiro de 2008 a U.S. Environmental Protection Agency
(EPA) aprovou o registro de 275 ligas de cobre, reconhecendo
sua propriedade antimicrobiana, especificamente para uso
em superfícies de contato com aplicações
em saúde pública.
Como resultado destes testes, o cobre foi certificado como
único metal no mundo que tem reconhecidas propriedades
benéficas na prevenção de agentes patogênicos.
Tal estudo foi resultado de um esforço da ICA para
eliminar infecções cruzadas em instalações
hospitalares e em outras áreas.
“A certificação do cobre como o primeiro
metal capaz de eliminar bactérias, propriedade que
nem o aço inoxidável demonstrou ter, é
um marco importante que causará impacto direto na
prevenção de doenças intra-hospitalares
e na redução da contaminação
cruzada em processos alimentares”, defende Hernán
Sierralta, diretor de Comunicações da International
Copper Association, organismo mundial que promove os usos
e benefícios do cobre. Acrescenta Sierralta que “o
metal vermelho deveria estar presente em salas de cirurgia,
restaurantes e sistemas de ar condicionado”.
O registro da EPA deu origem a estudos de comprovação
da diminuição das taxas de infecções.
Se a pesquisa em hospitais aponta uma significativa redução
das infecções, o uso do cobre na UTI poderia
dar lugar a uma tendência ou norma que levasse, por
exemplo, a que organismos como a Organização
Mundial da Saúde recomendassem sua utilização.
Segundo Omar Hernández, subdiretor de Mineração,
Meio ambiente e Infraestrutura da InnovaChile de CORFO,
“esta é uma das iniciativas mais relevantes
entre os projetos de inovação que foram aprovados
durante os últimos três anos na área
da mineração, em particular no estudo de novos
usos e aplicações para o cobre, um dos seis
temas que o Programa de Inovação do Cluster
Minerador priorizou. Esperamos que estes resultados desencadeiem
a médio prazo uma série de aplicações
e empreendimentos entre empresários nacionais e este
grupo de cientistas que estarão na vanguarda destas
tecnologias”.
Em relação aos materiais a serem usados, Rodrigo
Palma expressa que este projeto apresenta grandes desafios
na seleção das ligas de cobre. ”Devemos
buscar as mais apropriadas para a fabricação
dos distintos componentes da sala UTI e que, por sua vez,
mantenham um alto potencial antimicrobiano. Deverão
satisfazer várias exigências, garantindo que
estejam livres de elementos tóxicos, que sejam resistentes
à corrosão e atrativas esteticamente, com
uma boa relação entre preço e durabilidade,
entre outras”.
Do mesmo modo que a equipe de Schmidt em Santa Carolina,
outros centros de saúde estão usando o cobre
em aplicações com forte risco de contaminação
como macas, cadeiras, teclados de computadores e mouses
e botões de chamar as enfermeiras. Espera-se diminuir
o número de bactérias e reduzir a incidência
de infecções hospitalares.
A iniciativa poderia ter um forte impacto na diminuição
das infecções hospitalares, nais quais se
estima que representem um custo ao país de cerca
de US$ 70 milhões por ano.